Amargor e refrescância: saiba mais sobre as IPA

Invariavelmente, todo aquele que se aventura no universo fantástico das cervejas especiais, acaba provando uma India Pale Ale – ou IPA, no popular. O estilo se tornou quase que como uma bandeira do renascimento das cervejas artesanais no mundo inteiro. Seu amargor pungente é a perfeita resposta à ausência de personalidade das standard american lagers que dominam o mercado mundial. Sem medo de errar, podemos dizer que o estilo é o mais popular entre as craft beers. Mas de onde vem as IPAs? A história do estilo é repleta de lendas inconsistentes. A mais comum é de que ele foi criado no século XVIII pelo cervejeiro inglês George Hodgson, numa variação das pale ales inglesas. Sua carga maior de lúpulo e maior potência alcoólica faziam com que a cerveja resistisse aos seis meses de viagem marítima da Inglaterra até a Índia. No entanto, conforme estudos do jornalista inglês Martin Cornell, do blog Zythophile, essa história não passa de mais um dos inúmeros mitos cervejeiros. Segundo Cornell, não existe evidência alguma que confirme que Hodgson tenha sido o inventor das IPAs. Relatos históricos apontam que não existe um inventor do estilo, pois as “pale ales preparadas para o mercado indiano” eram exportadas para a Índia bem antes de Hodgson, bem como porters e barley wines, que eram estilos até mais populares na época. As pesquisas de Cornell mostram que o estilo foi sendo desenvolvido durante o tempo e que a primeira referência ao nome India Pale Ale foi na Austrália, vejam só! Vale a pena dar uma olhada nos textos do Beercast e do 700 Cervejas sobre o assunto, bem como nos posts originais do Zythophile (aqui, aqui, aqui e aqui). História à parte, o fato é que o estilo ficou consagrado como o conhecemos hoje com o renascimento do mercado americano de cervejas artesanais. Apesar do estilo ser de origem inglesa, foram as versões americanas que caíram no gosto dos bebedores. O uso dos lúpulos do país, com características mais cítricas e frutadas, bem como a “mão pesada” dos cervejeiros nas quantidades, tornou as IPAs as preferidas de todos aqueles que procuravam personalidade em forma de amargor, mas sem perder a refrescância. De alguns anos para cá, pode se contar nos dedos de uma mão as cervejarias que não possuem uma ou mais IPAs no portfolio. Também são incontáveis as variações do estilo, que vão da intensidade alcoólica e de amargor, passando pela cor e culminando nos ingredientes inusitados colocados nas receitas. Seguem alguns exemplos bem interessantes de IPAs que ilustram bem essa variedade: Seasons Green Cow greencow Feita com apenas um lúpulo, o americano Centennial, ela é amarga na medida e refrescante além da conta. Para muitos, a melhor IPA do Brasil. Sauber IPA sauber Uma English IPA, com aromas herbáceos e terrosos, amargor intenso e dulçor do malte também bem pronunciado. Amazon IPA Cumaru amazon Com amargor alto característico das IPA’s,uma cerveja que surpreende pela combinação entre o amargor e aroma do lúpulo e o frutado das sementes de Cumaru. Polimango polimango Criação colaborativa da brasileira Tupiniquim com a sueca Omnipollo, essa double IPA leva, além dos maltes de cevada e trigo, aveia em flocos, farinha de polenta e os lúpulos Columbus, Centennial e Mosaic. Apesar do aroma e do nome, ela não leva a fruta na receita. 2Cabeças Hi5 hi5 Num exemplo da variedade do estilo, essa cerveja é completamente escura, com muito malte torrado, mas com o amargor e o aroma cítrico característico das IPAs. O corpo é leve e seu final é amargo, com um leve torrado.

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